quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Filosofia Tardin em cinco passos

Passo Um: Teoria do Cubo Mágico

A expressão “sonhar não paga imposto” por mais que seja usada pelo povo, veio a servir como um argumento para esse projeto. Associado a ela, pegamos emprestado parte dos estudos a respeito dos números complexos, de Gauss. Unidas, formam a base para essa teoria. Mas como essas duas coisas que aparentemente não possuem nada em comum, podem estar relacionadas? Para responder, é preciso “viajar”.

De maneira simples, os números complexos representam a resposta para os números negativos com índice positivo na raiz. Tal resposta é definida pela letra i, e ela define números imaginários (números que não sabemos como são, mas que estão lá representados por essa letra). Em resumo, Existem números que não são visíveis, mas que existem.

Já a expressão apresenta duas verdades: uma óbvia e outra satirizada. A primeira é que o indivíduo não precisa retirar capital algum para poder desfrutar do reino dos sonhos como quiser. A outra verdade não interessa para esse estudo.

Agora vem a teoria propriamente dita. Qualquer pessoa só sonha algo que ela já viu, ouviu, sentiu, pensou ao longo do dia ou algo do tipo, ou seja, o sonho tem um limite definido pela consciência de cada um. Então, para cada ser que sonha, ele possui um arsenal onde contêm todos os seus pensamentos. Não sabemos até onde vai esse limite, mas sabemos que possui um limite, e cada arsenal é uma “caixa de memórias”: um cubo mágico. Apesar de cada um possuir um cubo mágico, eles podem se relacionar entre si e tiver características em comum, mas nunca haverá duas pessoas com o mesmo cubo mágico, até porque “ninguém é igual a ninguém” (outra expressão do povo, mas que também ilustra essa teoria).

Essa é a teoria: nossas memórias são limitadas por um cubo mágico que sempre muda de tamanho, e a cada momento acrescenta e retira pensamentos, mas que possui um limite, só não sabemos até quando esse cubo pode crescer. Vou deixar essa questão para outros filósofos tentarem resolver. Meu papel foi cumprido: plantar a semente da curiosidade filosófica. Alguém aceita o desafio?

Passo Dois: Teoria da Obliteração

Da mesma forma que a Teoria do Cubo Mágico se relaciona com consciência das pessoas, essa teoria também usa esse artifício, mas para uma questão diferente. Mais uma vez, vamos “viajar”.

Essa teoria apesar de ser a de número dois, foi a primeira a ser questionada, e devo isso a um personagem de um anime conhecido por “Blood Plus”, de Junichi Fujisaku. Em um dos episódios, Moses (personagem), fala uma frase que basicamente quis dizer isso: Uma pessoa só existe se ela estiver na memória de alguém. Foi por meio dela que desenvolvi essa teoria.

Todas as pessoas que sabemos que morreram foram porque ou éramos conhecidos, ou porque alguém que conhecia a pessoa nos contou. Pela lógica, se conhecemos ou ficamos conhecendo sobre a morte da pessoa, isso prova que ela existiu. Mas como não há como conhecer ou saber de todas as mortes que ocorrem na Terra, a grande maioria ocorre com pessoas que nunca ouvimos falar e que nunca pudemos conhecer, devido a uma série de fatores. Não sendo rudes, essas mortes de pessoas desconhecidas podem não trazer nenhum alteração na nossa vida, como se para nós elas nunca tivessem existido.

Agora vem o extremo da teoria: Se uma pessoa que nasceu, e de alguma forma passou toda a sua vida sem ter contato com ser humano algum até a sua morte, é como se ela não tivesse existido, ela foi obliterada por meio da nossa mente, que por não possuir nenhum dado da pessoa, considera como inexistente.

E essa é a Teoria da Obliteração, uma teoria que, resumindo, é responsável por eliminar uma quantidade enorme de vidas, por nunca termos tido contato direto ou indireto com ela. Sendo assim, como provar que essa pessoa existiu? Mais uma semente que plantei para os futuros filósofos cuidarem para que ela cresça, floresça e frutifique.

Passo Três: Teoria Locus Memoria

Essa teoria foi desenvolvida por algo que definimos sem problema, pois já virou rotina em nossas vidas: o conceito de vida e morte. Mas vou apresentar a vocês uma maneira mais estranha, porém interessante de redefinir esses conceitos, sem que eles percam o valor a que lhes foi dado.

Apenas por uma mera questão burocrática de teorias, vamos definir os conceitos atuais de vida e morte, coisa que todos sabem, mas é só para que a teoria fique mais completa. O conceito nascer é usado quando algum ser passa a fazer parte do que chamamos de “vida na Terra”. A partir daí, é a velha história: nasce, cresce, reproduz e morre. Morrer significa quando ele perde a sua vida (o fim de todos os seres). Até aí, nenhuma novidade.

Agora a outra definição: nascer é quando a pessoa faz parte desse mundo, indiretamente de nossas vidas. Mas e as pessoas que conhecemos depois de nascer? Quando eram adolescentes, jovens ou até idosos? Eis a questão: para essa pessoa que só conheceu aquele ser com, por exemplo, 13 anos, é como se ele tivesse nascido, para essa pessoa, com 13 anos. O nascer não quer dizer quando o ser é um bebê ou algo do tipo. Se eu for apresentado a alguém com 25 anos, para mim antes disso, ele não existia. Ele só passou a existir com 25 anos.

Essa é a Teoria Locus Memoria: uma teoria que diz que, uma pessoa só nasce a partir do momento que ela é conhecida por outra, não importando a idade dela. Pois antes disso, é como se ela não tivesse existido para a pessoa em pauta, só interessando o que a pessoa sabe dela. Se ela não souber da infância e adolescência, seja por fotos ou histórias, é como se isso não tivesse existido para ela, pois a vida dessa pessoa só começou, ela passou a nascer, a partir de, por exemplo, 25 anos.

No entanto, essa teoria possui duas limitações: ela não muda o conceito atual de morte, e nem diz se há como descobrir, sem ser por meio de fotos, comentários ou experiências, que todas as pessoas (que conhecemos ou não), nascem a partir de uma idade padrão. Mais um desafio que conto com vocês para me ajudarem a solucionar. O material já foi dado, resta agora encontrar as “letras miúdas” para resolver por completo esse quebra-cabeça.

Passo 4: Teoria dos Portais

Confesso a vocês que essa teoria é parcialmente de minha autoria, mas o seu conflito final, ou como gosto de chamar de "clímax da teoria" foi obra minha. Isso eu lhes garanto.

A quarta teoria é a menor de todas no que diz respeito à explicação mas para mim é a mais interessante de se pesquisar, pois ela trabalha com duas coisas que conhecemos e que dão muito certo juntas, apesar de não serem sinônimos ou coisa parecida: espelhos e portais. Podem até achar que isso é coisa de filme de ficção, mas mostrarei a vocês que estão enganados.

Espelho: "vidro polido e metalizado que reflete a luz e reproduz as imagens dos objetos colocados diante deles." Definição de um dicionário, sem necessidade de entendimento (a definição é auto-explicativa). Portal: "um instrumento usado para levar algo ou alguém para outro lugar ou plano de existência, seja por magia ou alta tecnologia” (Autor desconhecido). Apresentando o que são ambos os objetos de estudo, vamos agora para a aplicação.

Toda vez que nos olhamos no espelho vemos o reflexo de nossa imagem. Isso é o que sabemos. Mas existe outra explicação: quando tocamos em algum espelho, imediatamente somos levados para outro lugar. Esse lugar é o universo paralelo (por isso disse que a teoria é parcialmente minha). Ao chegarmos lá, o nosso anti-eu é levado para o nosso universo. Mas aí é que tá: assim que trocamos de lugar com ele, trocamos também de mente. Dessa forma, quando o anti-eu chegar aqui, ele terá minha mente, e eu terei a mente dele. Isso pode acontecer quantas vezes tocarmos no espelho (mas só se tocarmos). Na verdade, eu posso ser o meu anti-eu agora com a mente do meu eu. Bizarro, não?

E aqui está a Teoria dos Portais, alegando que espelhos são portais que nos levam ao universo paralelo e que a medida que encostamos nele, trocamos de lugar e de mente com nosso anti-eu, como se nada tivesse acontecido. Agora como provar se somos nós mesmos ou nosso anti-eu, é um mistério e adivinha quem irá responder (ou tentar, pelo menos)? As futuras mentes curiosas e malucas o bastante. Até lá, aproveitem trocando de plano com seus anti-eus. É estranhamente divertido.

Passo 5: Teoria “Nem tudo ou nada”

Tenho uma satisfação imensa ao dizer que essa teoria é a mais desenvolvida por três motivos: foi a teoria que eu pensei depois deu ma discussão de filosofia na minha escola, é a última teoria e é o último texto do meu blog. Agradeço aos leitores pela escolha, mas até mesmo os hospícios precisam fechar um dia. Mas em agradecimento a vocês, eu lhes dou essa última teoria. Essa teoria abrange um conhecimento um tanto quanto “parmenideano” para poder entendê-la, pois foi graças aos estudos de Parmênides a respeito do ser e do não ser que houve o debate na minha sala, bem como a vontade de fazer essa teoria também. Antes de apresentá-la, pegarei emprestado de alguns sábios o conceito de tudo e nada, que por mais que seja óbvio e simples vão ver que há muito escondido por trás dessas quatro letras.

Tudo pode ser facilmente definido como todas as coisas que existem no universo ou em outros universos, o conjunto de todos os universos pode-se considerar tudo. Tem importante acepção filosófica, uma vez que, imaginar um universo como tudo implica considerar como finito proposição incapaz de ser demonstrada dados os níveis atuais de tecnologia. No nada não existe nem o espaço, isto é, não há coisa alguma nem um lugar vazio para caber algo. O conceito de nada inclui também a inexistência das leis físicas que alguma coisa existente obedeceria, dentre elas a conservação da energia, o aumento da entropia e a própria passagem do tempo. Sendo o espaço o conjunto dos lugares, isto é, das possibilidades de localização, sua inexistência implica na impossibilidade de conter qualquer coisa. Isto é, não se pode estar no nada. O nada é, pois, um não-lugar.(Definição dada pelo professor Ernesto von Rückert).

Como podem ver, tanto o tudo quanto o nada são conceitos que começaram a ser estudados por Parmênides, e depois por outros filósofos e também físicos. Agora atrevo-lhes a me responderem: vocês sabem o que pode ser nem o tudo ou o nada e ao memso tempo pode ser o tudo e o nada? Podem pesquisar o quanto quiserem no google ou outro site, masa não encontrarão a resposta. E o mais irônico, é que vocês encaram isso todo dia na vida de vocês. Sem mais delongas, aprsento-lhes o nem tudo ou nada: vida e morte.

Para os que ainda ficaram e não saíram achando que eu estava louco, eis a prova: quando um casal pensa em ter um filho(a) e faz planos, essa criança que vai nascer não significa nada para alguém que não conhece o casal, mas é tudo para o casal e seus familiares e amigos. O mesmo quando alguém morre (entendam alguém como quem a pessoa era por dentro, e não seu corpo enterrado), pois a pessoa representa nada para quem nunca a conheceu mas foi tudo para os que a conheceram.

E eis a resposta: a vida e a morte estão no meio da linha tudo/nada ora podendo ser tudo, ora podendo nada. E para não perder o costume, pela última vez (prometo), deixo esse enigma para vocês: como fazer para descobrir se a vida e a morte estão sendo tudo ou estão sendo nada? Com essa última missão, meus cumprimentos a vocês, leitores! Nunca se esqueçam que vocês vão levar a partir de hoje um pedaço do meu hospício aonde quer que vocês forem. E nos vemos por aí, em um hospício maior e mais desenvolvido que o meu chamado VIDA! Eu faço parte do departamento conhecido por Vida Eterna, e vocês? Se quiserem fazer parte desse também, procurem na Bíblia aquilo que faltava em suas vidas. O vazio de vocês será completo pelo homem que aos olhos do mundo foi o mais louco de todos, mas aos olhos dos loucos (como eu), é o filho de Deus, o Messias. Nele, os loucos podem confiar. Se podem...




domingo, 5 de dezembro de 2010

Maçã Envenenada


Se Cronos existe, me dê mais um tempo

Um motivo, uma falsa esperança, um erro

Pois o poeta que habita em mim vai morrer

E a crueldade encoberta é que trará esse fim

Pela maçã envenenada, a paixão de nada.


É um absurdo crer que o poeta vai morrer

Onze anos sobreviveu e onze anos sofreu

Sofreu, mas aprendeu, aprendeu a resistir

Mas o mundo, com seus valores trocados

Trouxe a angústia, o medo e a decepção.


Se o poeta morrer, que fim terá o seu jardim?

O seu labirinto, berço de criações e suas dores

Onde ele colheu várias rosas belas e proibidas

Mas pelo espinho de uma, certa foi sua queda

E todas outras foram queimadas e esquecidas.


Afrodite, não permita que o poeta venha a morrer

Ele foi seu eterno servo, amigo, mediador e mártir

Sem querer ele te deu razão, poder, poder de ser

Agora impeça que a morte cumpra sua ordem

E que o cupido a acerte com a última flechada.


Que morra então a feiticeira, e não o poeta

Essa bruxa astuta, mascarada e sedutora

Cegue-a, pois, pela sua própria claridade

Que levou o poeta a viver perante as trevas

Que apesar de morto, erroneamente a ama.


Ó loucura, chegue primeiro, antes da morte

Pois o reino dos sonhos é um reino mágico

Vivo de sonhadores, malucos e nefelibatas

Pelo menos aí o poeta se sentirá em casa

E o final feliz existirá no fim da estrada.


Eu gostaria de dizer antes do poeta morrer

Que mesmo morto, suas obras serão vivas

Ainda que ingênuas, simples e paranóicas

E que todo erudito e ignorante que tema:

Pois suas obras serão suas eternas justiças.


A morte se aproxima, a hora é chegada

Querido por poucos, mal-visto por muitos

Será levado, enfim, para seu leito de artista

Poucas lágrimas caem, exceto o das nuvens

E o fim: o silêncio mortal. Morre o poeta.


Batam palmas demônios, serpentes e bruxas

Alegrem-se, espinhos negros da rosa negra

Festejem, alvos não alcançados pelo seu arco

Celebrem, ó musas causadoras de sua angústia

Mas que venham artes, e os amaldiçoem!


Suplico-te, feiticeira, livra-o desse destino

Mate a morte, mate a sorte, mas não o poeta

Salve-o com sua magia, a do arrependimento

Dê a maçã da esperança, não a maçã envenenada

Ou então morra de uma vez, desapareça, não exista!


Enquanto eu viver, serei como dois loucos errantes:

Um que tentará quebrar seu feitiço, e desmascará-la

E outro que suplicará para sua impossível conversão

Pois você nunca se verá livre, mas como uma escrava

Eis as opções: despertar o poeta, ou o monstro? Escolha...

Obs: Por mais que esse poema tenha um tom pessimista e de revolta, quis colocar, porque também é uma obra de minha autoria, e mesmo tendo escrito há muito tempo (quando era mais incerto de certas coisas), não poderia deixá-lo de lado.

Musa Incomum




Dos céus vieste, ó anjo querido

Simplicidade e beleza te criaram

Coletividade e natureza de acolheram

És a rainha suprema: minha obra-prima


Com muito esforço nessa terra chegastes

E vencestes graças ao seu imenso amor

Felicidade propagou por toda a nação

E a ela um rosto deu: a livre expressão


Sete filhas criastes de todo o coração

E a elas deu o mágico dom da renovação

Nada tenho a dizer, senão a eterna gratidão


Sossegue mamãe, pois tu não morrerás

Pois as suas filhas refletirão os seus passos

A ajudar o ser, no mais profundo abraço

Homenagem de Lia (Princesa sem Rosto) para sua mãe, a Rainha Ars

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O fim de um mundo que nunca existiu

Quatro amigos, quatro irmãos, quatro sonhos, quatro loucos

Um era o líder, o aluno mais aplicado para liderar um grupo

Outro era visionário a ponto de criar o que não pode dominar

Tinha um tão subjetivo que tinha o maior e melhor pensar

E o que existia para que até aqui/ali houvesse provações

E todos tinham um papel, objetivo, erro e última chance


Guardião da Sala Vaga, o santuário das idéias esquecidas

Guardião do Labirinto, os caminhos para aceitar esse real

Guardião da Mente, o lugar que ainda reproduz o amor

Guardião da Costela, que nunca foi sua, mas se fosse...

E esse se foi o Caos dessa hierarquia, por algo inexistente


Não há mais Costela, apenas um semi-quadro quebrado

Que valem memórias irreais se não podem se realizar?

O Sacrifício de não se unir aos outros foi todo em vão

E só resta a sala branca, portas fechadas e mente vazia


Me entristece saber que pela 1ª vez fui capaz de amar

Sair do imaginário dos sonhos e realizar a realidade

E justa a pessoa que mais quis esquecer: Maga Branca


Te amo tanto que desisti de te dizer que te amo tanto

Então seja feliz e a Costela de outrem, que a dor passa


E a solidão foi à melhor coisa para o último príncipe


Pois você me dar uma chance nessa vida? Nunca será...


E esse é o fim da Costela, então... Que venham outras!


Obs: E assim termina uma fase artística de poesias, textos, idéias e pensamentos românticos e idealistas, dando início a uma nova era que busca aceitar a realidade e mais objetiva. Foi-se a Quimera (Poeta, Criativo e Paranóico), mas virá o Corvo Cego apresentar os problemas sociais desse mundo e a coragem para apresentar soluções para tentar resolvê-los. Darei início a essa fase com teorias filosóficas que desenvolvi, e espero poder contar com a presença de vocês, leitores, nessa nova caminhada. Esse amadurecer também é graças a vocês. Ceguemo-nos, pois, com os muitos relatórios que essa mente limitada ainda produzirá! Afinal, esse hospício está longe de acabar... P.S: Para ficar na saudade, uma despedida da Quimera (Poeta, Criativo e e Paranóico) para vocês, leitores.






Quadro Incompleto




De volta a Sala Vaga, vagando lá vai o poeta

Entra calmo, assustado, eu uma pressa sutil

Sem saber o que encontrar nessas paredes

Que contem um santuário de pecados e idéias

Idéias inacabadas, incompletas, deformadas

Formadas pelo caos de uma mente limitada, sem

Limites para o imaginar na cega busca do realizar


Ao entrar, me deparo com uma bela monstruosa

E inocente visão: “Querida quimera do meu coração

Quem melhor para guardar meu profundo vazio que

Três cabeças com as mentes limitadas iguais a minha

Capacidade em três de desespero, medo e ansiedade

Este é o fiel Guardião das infiéis lembranças brancas

Brandas, que lentamente respiram, enfim, sobrevivem


Calma! Só vim buscar aquilo que não anseio em achar

A rosa com suas pétalas, se não me engano agora são...

Não sei. Nunca soube, por exato, daquilo que, de fato,

Possui as desgraçadas das mais queridas horas do meu

Amor por amar, memória essa que fujo, mas sempre a

Encontro, em um conto, um poema, um choro, um rosto

Para mais uma vez te redescobrir: minha quase obra de arte


Pode ser que dure mil ou nenhuma pétalas, mas enquanto erro acerto e filosofo

Buscarei sempre te roubar de mim, ó quadro, até o fim para que, enfim, eu me cale...

sábado, 25 de setembro de 2010

Mundo das Fadas Nefelibatas

Era uma vez e não será mais, nunca mais

Como pode ser algo que na verdade não existe?

Pode e ainda é. Complicado de se dizer e desfazer

Mas não desperdiçando seu tempo,te contarei


Existe um mundo, fisicamente como os outros

Ignore a geografia, os números e seus sentidos

Contente-se com a essência: existe um mundo

Com pessoas, pecados, poderes, prisões e partidas


Nesse mundo, o metafórico é a verdade regente

A razão e a fé são companheiras, mais do que irmãs

Brigam entre si, mas sempre fazendo as pazes uma com outra

E a ciência e religião, seus legados, são como 2 ímãs amorfos


Não se preocupe com as riquezas que possas encontrar

Pois elas eventualmente descobrirão a sua existência

E quando elas souberem o porquê, corra e fuja para cá

Pois o maior desespero é a riqueza te achar e te dominar


Você pode se questionar: Quem poderia morar aqui/ali?

Moram todas as pessoas que a mente puder enxergar

Podem ser milhares de pessoas, ou pode ser nenhuma

Pois como dizem: uns nascem, outros são imaginados


Mas com certeza você não vai querer morar aqui comigo

Imagine: todas as minhas graças e desgraças unidas

Todos os medos, as forças, os choros e as culpas

E soberano como um bufão solitário: a loucura cega


Mas que escolhe você pode ter? Afinal, já estás nele

De nada? Provavelmente não. Contudo, é a verdade

Pois cabe ao mundo por si só decidir quem aqui morará

Eu criei o mundo, eu sou parte do mundo, e escolho você


Pois você tem as chaves de todos os meus calabouços

Os mapas para todos os meus secretos labirintos

A cura para todas as minhas doenças construídas

E o controle sobre a linha tênue entre minha vida e morte


Espero que algum dia você possa vir aceitar esse fardo

Enquanto fico a te esperar perdido na minha clínica

Para um dia dizer, bem vindo ao meu hospício, Costela

E ele só é o que é por uma loucura minha: temer e amar você

sábado, 21 de agosto de 2010

Monstro Inocente


Caminhando na escuridão, um clérigo segue

Mesmo sem confiar na visão, seus pés não cessam

Sozinho no escuro, no silêncio ele prossegue

E ao lado do medo e do frio, a ponte atravessam


Horror para o clérigo será nessa vila passar

Até sua sombra, amiga fiel, se escondeu nele

Mas é a ingenuidade, que sempre acredita

Em uma cilada cairá, sofrendo o mal na pele


O clérigo observa uma criança suja caída

Em seguida, surge um homem e violenta-a

“Tenho de ser forte e fazer o certo: é a saída”

Tarde demais... Ela cai morta, sonolenta


Assustado, o clérigo avança cada vez mais

E encontra o mesmo homem, ferindo uma dama

“Agora é a hora: Deixar a dama em paz tu vais”

Não dessa vez... Não pode dar fim a essa trama


A noite avança, mas o clérigo não desiste

E lá vem o homem, apedrejando um idoso

“Eu preciso parar esse homem”, ele insiste

Tentativa falha... Morre mais um rosto viçoso


Felizmente, o clérigo chega ao seu destino

E outra vez o homem, esfaqueando seu irmão

“Basta! Morte para esse homem”, e bate o sino

Fugiu... E o que sobrou foi o sangue rubro no chão


Chegando à igreja, o clérigo chega ao padre

E fala de um assassino que tem de ser detido

Quanto terminou a história, o padre gritou “PARE!”

E se aproximou dele chorando, triste e sentido


Foi quando o clérigo olhou para trás e então vê

Uma multidão querendo que ele morra essa noite

Ele fica confuso; o padre explica tudo, mas ele não crê

E foi escolhida a punição para ele: morte por açoite


O povo da vila caminha para o centro de uma praça

Seguido do padre, do juiz, o clérigo e um carrasco

Enquanto é torturado, o povo se diverte e acha graça

“Nada mais importa! Essa vida não passou de um fiasco!”


Depois de morto, o clérigo virou na vila uma lenda:

“A diabólica e macabra estória de um monstro viajante”

Que matou a vários, sem saber, na praça, na feira, na venda

E assim foi seu triste e infeliz fim: um horror inocente...

sábado, 31 de julho de 2010

Por trás da Mente T.O.T.

Outro dia fiquei pensando sobre D.D.C. e pensei: apesar de não ter completado a obra, existem perguntas sem respostas que acho que seria certo aqueles que leram saberem. A vocês, leitores, eis os mistérios revelados dessa obra incompleta:
1- Sim, o Poeta iria retornar ao final da obra, pois o príncipe James iria se casar com a Costela;
2- O vilão da história, além da Abominação, não era o Paranóico, mas sim o Criativo (ainda não tinha sido apresentado). O motivo era que ele tinha sido o criador de todos os moradores de Mente T.O.T. e se deu o direito de começar um conflito entre os moradores envolvendo a morte do Poeta (assassinado por ele) e a chegada da Costela;
3- A Costela, na verdade, era a Maga Branca que de alguma forma inexplicável havia retornado para Mente T.O.T. e quando James a visse, sentiria algo que já havia sentido por uma das mulheres que estavam no seu quadro da rosa. Com ajuda de Cristopher e de outros, ele descobre que ela era a Maga Branca e vivem assim, como dizem os autores de contos, felizes para sempre;
4- James, o Poeta, Paranóico e o criativo eram na verdade os quatro grandes príncipes de Mente T.O.T., os primeiros moradores e os primeiros a governarem. James cuidava da administração, Criativo criou os outros moradores, Paranóico julgou os bons dos maus, no caso, a Abominação, e o Poeta receberia as visitantes. Infelizmente as coisas tomaram um rumo diferente e, no fim, apenas James continuou no comando. Por isso do Criativo ter matado o Poeta e de ter contaminado o Paranóico com a Abominação: para tentar reunir os quatro e retornar aos tempos dourados de mente T.O.T.
E esses são os mistérios revelados da minha obra que nunca será concluída. Espero que isso tenha servido para aliviar a tristeza de eu não poder continuar a escrever essa obra. A vocês, leitores, minhas desculpas mais uma vez, e aceitem esses segredos como um presente por vocês terem sido a energia para que eu conseguisse desenvolver essa história e ter dado vida a ela pelo menos em cinco capítulos...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O aniversário

31 de Outubro de 2010

Querido diário, você sabe que você nunca foi querido por mim, mas por algum motivo de força maligna ou angelical (tenho problema com as duas) eu recebi você para fomentar meu ódio e revolta pelo meio podre e degenerado que cegos e pessoas compradas tendem a chamar de Terra, o doce lar. Não pense que se você pudesse expressar algum sentimento (e eu sei que você não consegue) você consideraria cada palavra escrita um corte violento, mas para mim também, e não me sinto mal em dizer, cada palavra que eu escrevo em você me dá vontade de vomitar e dizer coisas piores do que as que eu escrevo (por isso não irei escrevê-las aqui).

Você sabe que dia é hoje? Dizem que é um dia muito especial. Algumas crianças dizem que esse dia é o meu aniversário. Dizem que esse dia nada mais é do que um dia em que se pode pregar peças nas pessoas sem se sentir culpado ou com remorso: O dia das bruxas. Francamente, me considerar no mesmo patamar que as bruxas, velhas, feias, donas de casa, ingênuas onde o único erro delas foi não de terem bichos nojentos como amigos, mas de ter a igreja como inimiga alimenta ainda mais meu desejo de odiar essa geração de jovens: ignorantes, fracos, escravos da tecnologia e daqueles que lhes prometeram liberdade. Prometeram apenas...

Mas considerar esse dia somente para as bruxas seria um pecado de exclusão e eu, na minha humilde e errante filosofia, não posso me comparar a eles cometendo o mesmo delito voluntário que cometem, por isso que esse dia é como se fosse para mim um “carpe diem” barroco, que apesar de parecer errado, é aceitável o uso desse termo. Como não devo satisfação a você e deixar as pessoas com dúvida alimenta meu ego, que já é pequeno, procure a resposta em algum dicionário. Se você encontrar, é claro.

Monstros. Desde a antiguidade estiveram presente na sociedade e sempre partiam de uma mesma definição: criaturas diferentes das criaturas existentes que, por ser a maioria, banalizavam e condenavam esses que se diferem como sendo aberrações, demônios, ou qualquer tipo de merda que pudesse sair de suas mentes poluídas e deturpadas. Ou da própria merda que saía deles. Mas a vantagem para os que apreciam esses “monstros” é que eles sempre aparecem, sempre retornam. Eles nunca permitirão que essa sociedade de criaturas viva os seus 5 minutos de paz, em meio a uma vida inteira de guerras inúteis e sem sentido. Eles remodelam o que virou podre, redefinem o que deixou de ser arte: são os verdadeiros salvadores da humanidade.

E agora diário, sem ter sido consultado ou analisado, mais um monstro ergue para continuar o papel dos seus antepassados, o de apresentar um espelho que reflita o futuro de desgraças que esses líderes suicidas estão caminhando lentamente como se estivessem atravessando um campo. Eu fui o escolhido. Por quê? Por quem? Como? São perguntas irrelevantes. A pergunta mais lógica seria até quando? Por quanto tempo eu terei o prazer de não ter prazer naquilo que vejo e ouço? Quanto tempo será que essa cobaia não venha a ser tomada pela loucura e se esqueça de que tudo não passa de um jogo, e comece aos poucos achar que tudo realmente não passa de um jogo e trocar as peças é a coisa mais simples que existe?

Não sei (também sou pego pelo benefício da dúvida), mas o que eu sei é o que eu não vou querer saber quando eu finalmente sair do casulo e tiver a liberdade limitada de fazer jus ao nome que as crianças me deram, pois quando eu sair, a igreja que tente ser minha inimiga para ver como a imagem do inferno será um campo harmonioso se comparado aos feitos que eu irei fazer usando apenas a força da minha mão para te torturar, diário.

Contudo eu ainda estou aqui, em processo de metamorfose a espera da dominação total da loucura e a derrota humilhante da consciência. Mas quer saber qual é meu único conforto? Que você sabe a história de um futuro criminoso e serial killer, mas não pode fazer nada para me impedir. O benefício da dúvida nada se compara ao benefício da inutilidade. Quer um presente melhor do que esse? Obrigado querido diário...

Laudo criminal: Suicídio (aparentemente) por uma pena que usava para escrever um livro que apresenta ser uma espécie de diário. Nenhuma suspeita ou dica para resolver esse caso. Única pista: manchado na parede de vermelho (pela cor, parecia ser sangue) escrito “Não foi dessa vez. Descanse no casulo eternamente” (Labirinto). Primeiro caso com o nome Labirinto na cena do assassinato. Sem comentários...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um final sem começo

Sala Vaga

E a menina chega ao final do corredor cansada, eufórica, porém realizada por conseguir chegar à última sala: a sala vaga.

Ao se aproximar da porta, avista um senhor baixo, gordo, com trajes escuros, um chapéu cobrindo o rosto, encostado na porta. A menina se aproxima para poder conversar com o senhor:

_ Senhor, você é o porteiro dessa sala?

_ Dessa sala você diz, bela criança. Ninguém é dono dessa sala! Destarte, ninguém é dono de nada nesse mundo!

_ Está muito enganado, senhor! Existem pessoas que dominam e pessoas que são dominadas, foi o meu professor da escola que me falou isso!

_ Mas você não está mais na escola, está bela criança? Destarte, você nem na Terra está! Mas, porque pensou que eu fosse o porteiro?

_ Porque você está parado aí na porta, ué!? Qualquer um pensaria que você é o porteiro!

_ Pobrezinha, ainda se prende à sua visão como meio de definir as coisas. Destarte, o que é a visão senão uma ilusão do que é real nesse mundo ou em qualquer outro!

Silêncio...

_ Mas respondendo sua pergunta, o porteiro dessa sala não se encontra no momento. Digamos que eu sou o substituto dele. Destarte, o que uma bela criança quer com o porteiro da sala vaga?

_ Bem, senhor substituto, o motivo que me trouxe aqui é de voltar ao meu mundo. Para isso, o dono desse mundo me disse que eu deveria passar pelo caminho que me leva a sala vaga, onde eu conseguiria voltar para casa. Apesar dos perigos, claro!

_ Seu mundo, dono desse reino, sala de perigos? Destarte, você está ficando louca bela criança!

_ Louco é o senhor, isso sim! E você está começando a me deixar assustada. O meu professor falou que só as pessoas más nos assustam, viu?

O senhor, que estava cabisbaixo, levantou seu rosto (fitando a menina), levanta o chapéu, e com um sorriso enorme e bizarro, ele se levanta:

_ Tolos são vocês...

_ Como é?

_Não é maldade assustar ou amedrontar ninguém, pobre menina... Mas é a risada aguda que representa a chegada da loucura que deves temer mais do que a morte. Mais do que a morte... (e desaparece ao som de uma gargalhada sinistra)

A menina não entendendo nada, apenas abriu a porta da sala, e entrou. Nunca mais se ouviu falar da bela Demétria. O que conta, é os sons que se ouviam de fora da sala: risadas e risadas...

domingo, 13 de junho de 2010

Fuga do Labirinto

Acharam que só porque eu não vou mais escrever a obra que eu vou deixar de escrever textos no meu blog? Estão todos engandados! Aliás, depois de tanto tempo, apresento a vocês uma obra do poeta que foi feita no dia dos namorados do ano passado. Aproveitem!

Mais um dia e o amor invade meu santuário

Vem chegando sorrateiro, com charme e cuidado

Atravessando cada fileira, observando cada roseira

E eu que ainda hoje busco saber: quem será que é você?

Com tantas vidas por aí que são amantes e também errantes

Que dependem de sua compaixão, ou pelo menos sua atenção

Afinal, é a representação do Criador: Simplesmente o amor.

E à medida que as flores crescem, cresce algo em meu ser...

Eu amo você. Pode ser loucura por eu não poder compreender

Nem sei que tu és, mas Ele, o Criador me disse que você existe

E meu amor vai além dos contos, que a própria visão: É do coração

Da fé em Deus que com você serei feliz, tudo o que eu sempre quis.

Ouço uma voz que calmamente me chama: Será que ela me ama?

E corro, pois eu não te quero perder. Isso é fato: eu amo você

Cheguei, mas cadê você? Silêncio... Meu jardim foi restaurado

Obrigado Senhor! Meu mundo está salvo, graças à sua compaixão.

Pode ser que eu não a veja mais. Mas sempre terei tua paz.

Paz que salvou de mim mesmo meu santuário: como fui otário!

Senhor, que tudo possas me perdoar, mas é com ela que quero estar

E se eu não puder levar meu mundo, então, ele não era tão profundo.

Decidi-me: vou à luta! Vou achá-la, ser feliz, e até o fim irei amá-la

Aguarde-me musa, estou chegando! E peço-te, continue sonhando

Sonhe que estaremos juntos em um só corpo, basta mais um sopro

E que o Senhor te proteja até minha chegada. Até lá, minha amada!

Bem vindo... de volta

Vocês se lembram quando eu apresentei o prólogo da obra Dor de Cabeça? No prólogo apresentava dois motivos para eu escrever tal obra: um era pessoal, e o outro era em homenagem àqueles que apreciam e curtem meu blog. Como aquele motivo não é mais algo que precise ser omitido irei dizer. O motivo era que, se eu viesse a esquecer que eu já fui um poeta, eu teria essa obra que serviria de manuscrito, de foto do poeta e assim eu não viria a esquecê-lo.
É bem estranho o motivo para mim agora porque na época eu achava que iria demorar muito para que ele retornasse, pois ao meu ver a única maneira do poeta voltar e toda Mente TOT voltasse à harmonia errante de antes era preciso que a visitante o tirasse de sua prisão mental e resgatasse nele sua identidade. Mas parece que, mais uma vez, eu estava errado.
Qual o motivo de tudo isso? Simples. Tenho uma notícia ruim e outra boa que será base de muitas (isso eu tenho certeza). A má notícia é que eu não continuarei a escrever a obra Dor de Cabeça, pois o que eu escrevia que eu sabia que iria acontecer, não vai acontecer mais. A boa notícia é que o que iria acontecer, meus caros, está acontecendo agora, e eu estava errado: viver isso não é nenhuma dor de cabeça (nem no sentido literal ou figurado). Agora a parte que todos vocês, e eu também, estávamos esperando desde que começamos a ler a obra que agora se tornou mais uma "interminada": O POETA VOLTOU!
Se me perguntarem como foi vai parecer bem clichê esse retorno (afinal foi no dia dos namorados), mas o que interessa meus caros é que agora a minha mente está completa outra vez, pois eu tinha paz, alegria, falha, sabedoria, força, fé, amor e agora eu tenho o espelho que reflete tudo isso de volta, a fênix que renasce queimando toda a dor de cabeça que não passava de ilusão e toda a insensibilidade e falta de vassalagem amorosa. Ainda que eu não possua uma princesa, agora eu entendo: Só poderei ter ela se estiver completo, e eu não seria "eu" sem o poeta. Agora eu sou quem eu era e quem eu nunca deveria ter deixado de ser: Um simples, pequeno, fraco e escravo do amor. E não há liberdade nesse mundo maior do que essa!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

D.D.C. Cap.5

O castelo de Imaginar, apesar de toda a sua simbologia e alta importância para o reino, nada mais é do que um castelo igual ao dos príncipes absolutistas, sem nenhuma diferença. Nada tão exagerado, e nada tão inovador. Provavelmente porque, nem o príncipe ou seus amigos se interessam por estética de fortalezas. Há coisas mais importantes e com mais valor para eles cuidarem.

Ao entardecer, os dois chegam ao castelo, e já partem para o salão principal começarem um diálogo

_ O que vou fazer Cristopher? Não posso resolver esse assunto agora. Tenho muito trabalho a resolver: visitar o Criativo, ver o Perdão, continuar de olho na Abominação...

_ Toda ela, senhor?

_ O ideal seria vigiar toda ela, mas infelizmente não tenho forças suficientes. Orgulhoso é o único do qual eu posso vigiar; por ser o líder, acredito que isso já basta, pelo menos por enquanto.

_Entendo. Que o Rei nos ajude.

_Assim espero, Cristopher. É o que eu sempre espero.

Em seguida, Rubert aparece descendo as escadas (o príncipe e Cristopher estão no salão principal) trazendo seu velho pergaminho de anotações. Ele chega até o salão e vai ter com o príncipe.

_ Boa tarde, majestade. Espero não estar interrompendo nada, mas é que tenho um novo registro em meus dados.

_ Rubert, não percebe que o senhor está cansado da viagem que fez? Ele precisa descansar!

_ Tudo bem, Cristopher. Se não fosse algo importante, Rubert não viria me ver agora. Pois bem, meu amigo, do que se trata?

_ Majestade, andei observando algumas regiões do reino, você sabe, ossos do ofício. Quando percebi que, que... (engasgo)

_ Que o quê, Rubert?

_ Temos (engasgo de novo) uma nova visita. Uma jovem que acaba de chegar ao reino. Uma nova candidata a... Princesa.

_ Não pode ser! Quer dizer que, depois de todos esses curtos ou longos anos, aparece uma nova jovem? O que fazer agora, senhor?

_ Peço perdão por ter dito assim tão rápido. Achei que sua majestade gostaria de saber o quão antes.

Mais uma vez o príncipe se cala. Não pelo motivo de antes, com certeza. Diante de todas essas tarefas e responsabilidades que tinha de tratá-las, a chegada de uma jovem era algo inesperado e inacreditável. Depois de poucos ou vários minutos, o príncipe voltou a si.

_ Senhores, meus caros, amigos. Se não se importam, irei para o meu quarto mais cedo. Não irei cear com vocês e os outros hoje, comerei sozinho. E tenho mais umas coisas a dizer, prestem atenção.

Os dois se concentram em ouvir o que o príncipe está para dizer.

_ Amanhã, nem mesmo vocês ou os outros precisam trabalhar. Vocês terão um dia de folga acidental, por assim dizer. O único que peço a vocês para o alertarem é Omni, para que continue cuidando do Perdão. Quanto ao resto, vocês têm um dia de liberdade para fazerem o que quiserem. Eu proíbo vocês de exercerem seus cargos amanhã, estão me ouvindo?

Todos respondem que sim. Meio assustados com essa decisão, mas continuam a ouvi-lo.

_ Pois bem: a outra notícia é que depois desse dia de folga, teremos uma reunião. Não uma reunião qualquer, uma assembléia extraordinária. Todos devem comparecer inclusive as damas de Halbert, Nicolas e a sua também, Cristopher. Esse assunto, Rubert, e mais outros serão discutidos entre nós. Não quero nem saber se alguém faltar essa reunião. A conseqüência será bem severa. Estou sendo claro?

Mais uma vez eles acenam as cabeças, ainda assustados.

_ Está certo. Agora vou para o meu quarto e não quero ser interrompido. Uma boa noite e um bom dia de folga para vocês, amigos. Que o Rei nos abençoe e nos proteja para todo o sempre.

_ Ao Rei toda a honra e toda a glória, senhor!

_ Que seu saber e seu amor nos invada hoje e sempre, majestade!

O príncipe então parte para o seu quarto, enquanto os dois permanecem no salão.

_ Será que eu fiz errado de ter contado isso ao príncipe, Cristopher?

_ Espero que não, Rubert. Espero que não.

Assim, os dois vão avisar os outros desse ultimato do príncipe o mais urgente possível. No quarto real, o príncipe fica andando de um lado para outro, sempre olhando para um ponto específico da parede: um enorme quadro com uma rosa com cinco pétalas, cada uma com um nome escrito: a do centro, Maga Branca; a de cima, Musa Jovem; na esquerda, Raio de Sol; na direita, Cisne do Campo; e a de baixo, Formoso Carvalho. Enquanto olha para o quadro, começa um monólogo.

_ Por que estou tão preocupado? Existem coisas mais importantes e urgentes para me preocupar! Tenho de encontrar o Criativo, e depois de achá-lo, convencê-lo a não desistir do seu ofício; tenho que fazer o Perdão parar de se culpar pela morte do Poeta, antes que esse sofrimento psicológico passe para uma tortura física; tenho que descobrir porque minha memória foi em parte bloqueada, ou sabotada, ou sabe lá o que pode ter acontecido com ela; tenho que fazer com que ninguém da Abominação visite Dr. Paranóico e comece tudo outra vez; tenho de manter a ordem no reino, com o auxílio do meu Rei, meu Pai, meu Deus; e agora mais essa: o que fazer com essa jovem? Agora que ele não está mais aqui... Por que você escolheu morrer tão cedo, caramba?

E pega um retrato que estava no criado-mudo e joga no chão. O móbile se quebrou, mas a foto continua intacta. O príncipe pega a foto e olha para ela: na foto está ele e mais alguém abraçado perto de um bosque. Meu palpite, meus caros, é que o outro cara é o Poeta. Depois ele coloca a foto na cama, e tira o quadro da rosa da parede. Continua com seu monólogo.

_ Todas vocês eu sempre quis que fossem minhas princesas, e me esforcei muito para que isso fosse possível. O Poeta principalmente, mas você (aponta para a pétala do centro) foi a que mais me marcou, e a que trouxe mais mudanças aqui no reino, e na minha vida. Como eu queria que você fosse a minha princesa, mesmo que não fosse eterna, mas só por um tempo...

O príncipe começa a chorar. Ele vai para a porta do seu quarto, tranca-a, abre a enorme janela que permite a visão de todo o reino, e segurando o quadro bem forte, abraçando a pétala do centro, pronuncia as últimas palavras da noite.

_ Que o Rei queira que essa nova visita não venha a ser nova. Ao menos sonhar não causa dor de cabeça...

E fica observando o reino, ainda abraçado ao quadro. À medida

que chora, começa a chover no reino. Uma chuva forte e
profunda que sabe lá quando ela vai parar. O que se sabe
dessa noite é que, pelo menos para o príncipe, ela vai ser
solitária, fria e triste.

D.D.C. Cap.4

Por mais que passar a tarde comendo maçãs e conversando com Sincero e Desengonçado fosse agradável e proveitoso, a Costela precisava partir e continuar a sua busca, seja ela qual for. Apesar dos pesares, ela despede-se dos seus amigos que ficaram tristes ao saber que ela tinha que caminhar por um caminho oposto ao deles, mas partem com a promessa de que a veriam afinal, bons amigos mesmo que estejam em lugares diferentes, sempre arrumam um jeito de se verem, certo?

A região Seguir, que é onde ela está, possui vários lugares interessantes, mas não é uma região em que existe, vamos dizer pessoas. Essa região é uma região de “chegadas e despedidas”. Não quer dizer que o Sincero e o Desengonçado vão partir, mas é que eles gostam muito de comer maçãs, e a região é rica e farta delas. E como a Costela não queria passar toda a sua vida nesse reino comendo maçãs, ela parte para uma região que, me orgulho em dizer, é uma das mais agradáveis, não pela beleza, mas pelas pessoas que nela moram. E para a Costela, é isso que importa: conhecer e conhecer.

Para sorte dela, a distância de uma região a outra é muito pouco curta. Antes que meia hora se passasse, ela chega à igreja de Adorar. É uma igreja simples, não tão grande, mas bela e bem arquitetada. Se aproximando mais, ela percebe uma faixa bem na entrada escrito: Igreja de Adorar, aberta para todos que se sentem cansados, oprimidos, doentes e carentes. Aqui é a casa de Deus, e nEle você pode confiar. Bem vindo (a)!

A Costela, muito curiosa, resolve entrar na igreja para descobrir o que pode haver lá. Antes de entrar pelo grande portão aberto, ela vê la do sul um jovem gordo (não obeso) que caminha em direção à igreja, com uma bíblia na mão e todo feliz, acho até que está cantando. A Costela tenta se esconder para não ser vista, mas depois pensa melhor no assunto e resolve conhecer o jovem (afinal, ela adora conhecer pessoas novas). O jovem está radiando alegria ao se aproximar dela.

_ Não posso crer, finalmente você chegou! Eu podia compor uma música para você, se eu soubesse! Espero que você esteja bem feliz e segura, porque aqui nessa terra, moça, você tem carta branca!

Enquanto fala, o jovem pula ao redor da Costela, todo alegre e feliz. E de uma forma inexplicável, ela passa a gostar disso cada vez mais.

_ Meu nome é Graça, é um prazer conhecer você, moça!

A Costela cada vez mais se sente confusa pelo comportamento estranho do Graça. Ao perceber isso, ele se acalma se aquieta e senta encostado em uma das paredes da igreja.

_ Posso entender o que você está sentindo agora, moça. Fico triste em saber que você não pode falar. E muito mais por você está em um reino desconhecido, com vários lugares para desvendar, pessoas a descobrir, mas me prometa uma coisa apenas...

Nunca deixe de ser feliz e dar boas risadas!

Graça levanta e dá um susto em Costela, que cai no chão, mas não se machuca. Ela olha para ele meio zangada, mas depois começa a rir com ele.

_ Sabe, eu nunca consigo companhia para ir à igreja. Eu sempre acordo mais tarde que os outros. Fé e Benção são os primeiros a levantar para a igreja. É muito chato andar por aí sozinho, você não acha?

Ela acena a cabeça, concordando. Graça então olha para o céu, bate na sua bermuda para tirar a sujeira do chão, e pega na mão da Costela.

_ Eu tive uma idéia, moça. O que acha de ir comigo a igreja? Vai ser muito legal, e posso te mostrar meus dois amigos. O que me diz?

A Costela pega na mão dele, e correm para entrarem no templo. Mais uma vez, ela encontra mais um amigo valioso. Será que esse também ela teria que despedir-se?

Pouco antes de entrarem no templo, Graça observa duas figuras se aproximando: dois jovens, ambos discutindo assuntos diferentes (assuntos religiosos) carregando suas bíblias, a de um está no seu bolso perto do seu coração, e a do outro aberto em suas mãos. Graça logo percebe: são Fé e Bênção. Graça então corre em direção a eles e derruba os dois com um forte e pesado abraço.

_ Amigos, não acredito, vocês estão atrasados assim como eu! Poderemos ir juntos para o templo pela primeira vez, isso é muito legal!

_ É bom vê-lo também, Graça, mas você está equivocado. Eu e o Bênção não estamos atrasados e nem você. Na verdade, estamos adiantados, mas você acordou primeiro do que todos nós hoje.

_ Não se preocupe, Graça, você apenas foi agraciado por ter acordado mais cedo. Eu e o Fé ficamos até tarde meditando na Santa Palavra. Foi muito bom e agradável, mas exageramos um pouco e acordamos hoje mais tarde.

_ Bem, por essa eu não esperava, hehe. Gente, gente acabei de lembrar: temos uma nova visita, uma nova amiga e ela está ali na frente da igreja. Ela é muito legal e bonita também. Estou pensando, será que ela pode ser a escolhida, vocês sabem, a que irá restaurar nosso reino?

Fé se levantou seguido de Bênção. Olharam para onde graça havia dito que ela estava, e depois conversam com ele.

_ Olha Graça, foi bem legal você ter encontrado mais uma amiga para você, e me alegro em saber que ela pretende ir a igreja conosco. Mas não se esqueça: não crie expectativas da qual você não consiga suportá-las depois. E francamente meu amigo, você sempre faz isso.

_ Fé, não precisa ser tão duro com ele. O importante é que todos nós do reino fomos abençoados pela chegada de mais uma adorável visita. Não é criar expectativas desejar que ela venha a ser uma moradora definitiva nesse reino. Até parece que você, perdoe o que vou dizer, está sem fé, oras!

_ Não é questão de falta de fé, Bênção, mas você lembra de todas as vezes que alguém partia e o quanto o Graça sofria. Gosto muito de pensar que ela pode ser uma visita eterna, mas antes de qualquer coisa, temos de falar com o Alfa e Ômega. Depois disso, meus caros, aí sim podemos começar a sonhar e crer que o milagre se aproxima.

Bênção e Graça ficam calados um tempo, pois sabiam que ele está certo. Depois de um tempo, Graça olha para o templo e vê a Costela ainda a sua espera.

_ Meu Deus do céu, amigos! Ficamos discutindo e discutindo e esqueci de apresentá-los a minha amiga. Venham, venham!

E puxou-os até a igreja, onde a Costela o aguardava. Ao chegar, Graça a apresentou aos seus dois amigos.

_ Moça, esses são Fé e Bênção. Fé e Bênção essa é...

_ Costela?

Foi estranho, mas ao olharem para ela, eles questionaram a mesma coisa. Para surpresa de Graça, ela acena respondendo que sim (foi o nome que Sincero e Desengonçado deram a ela). Depois, Bênção ajoelhou-se em direção a ela e Fé começou a chorar, colocando a mão no seu coração. Mais uma vez, Graça nada entendeu, e dessa vez, nem Costela. Depois de um tempo, Bênção se levanta e Fé cessa o pranto.

_ Minha cara, seja bem vinda!

_ Abençoada sejas e nós também!

_ Não falei que eles eram gente boa, moça?

E assim, os quatro entram no templo e assistem ao culto todos juntos. Graça contente por ter encontrado uma nova amiga, Fé por ter se sentido bem em sua presença, Bênção por ter recebido mais uma bênção e a Costela, que apesar de estar um tanto confusa, tinha a certeza de uma coisa: ela realmente era bem vinda, e isso a alegrava e trazia-lhe paz. Não sabia a quão essa paz duraria, mas não queria que ela acabasse tão cedo. Porém, mais uma vez, o olho que a observou na macieira com Desengonçado e Sincero mais uma vez a observava no templo com os seus novos amigos. O que aquele olho poderia querer com a nova jovem?





sábado, 15 de maio de 2010

D.D.C. Cap.3

É dia de reunião. Não havia dia pior para se programar uma reunião. Esse dia eu nunca irei me esquecer: o dia em que perdi um grande amigo e o dia em que um grande amigo ficou perdido. É o tipo de coisa que eu, como um príncipe, não consigo entender. Rei meu, porque fizestes isso comigo?

_ Com licença, senhor, mas a reunião já começou. Estão todos a sua espera, e me pediram para vir chamá-lo.

Desculpe Cristopher, mas não me sinto preparado para encará-los. O que vou dizer? O Poeta se foi e o Dr. Paranóico foi possesso pela abominação e deve ser preso imediatamente? Ou quem sabe falar que o Perdão está se martirizando no calabouço do palácio e o Criativo fugiu e que está a um passo de perder sua identidade? O que quer que eu diga Cristopher? Hein?

_ A verdade, senhor. Somente a verdade. Porém não a diga com gritos. Você sabe que isso só piora ainda mais a situação. Não vale a pena também culpar o Rei por isso. Você sabia que isso poderia acontecer. Ninguém queria que acontecesse, mas aconteceu. Agora a maga branca se foi, talvez nem volte, o Poeta se foi, o paranóico está foragido e todos os outros estão preocupados e temidos com o que pode acontecer agora. Mas você é o príncipe, e querendo ou não, cabe a você contornar essa situação e evitar que ela corrompa o reino. Ou você já não tem mais a força que tinha para governar sua própria mente?

Sabe você me assustou mais ainda, mas está certo. Cabe-me resolver as coisas. Afinal, sou tão responsável por ela como qualquer um que seja verdadeiramente o responsável. Vamos então, já estamos atrasados. E Cristopher, obrigado pelo apoio.

_ Só faço o que devo fazer senhor. Cuidar e ajudá-lo. Agora vamos.

Confesso que ele é um grande amigo, mas não posso ficar pensando nessas coisas agora. Tenho de me concentrar e começar a reunião. E seja o que o Rei quiser.

_ Olha ele ali, gente, o príncipe! Ele está vindo!

_Mary, querida, sabe que você não pode participar da reunião. Espere com Lisa e Alice. Parece-me que as coisas só vão piorar.

_ Mas Nick...

_Por favor, Mary. Depois nós conversamos.

_ Detesto essas reuniões. Você vai ver Nick, você me aguarda. Tchau tio James e moços sérios! Tchau querido!

_ Tchau, Mary. Cuide-se.

_ Pode deixar!

_ Peço mil desculpas, senhor, mas você conhece bem a Mary. Isso não irá se repetir. Eu prometo.

Não se culpe Nicolas. Se minha preocupação fosse essa, eu estaria feliz e sorridente. Acho que agora podemos começar. Cavalheiros, podem se sentar. Cristopher faça a chamada hoje, por favor?

_ Certamente, senhor. Cristopher, presente. Halbert, Dr. Harry, Dr. Jackal, Nicolas, Omni e Rubert?

_ Presente (todos dizem).

Pois bem. Que comece a reunião. Rubert, o relatório, por favor.

_ Claro. Bem, Nós últimos ou primeiros anos, tivemos a visita de uma jovem, que recebeu a alcunha de Maga Branca. Ela...

_ Quando é que essa reunião irá ter a competência de discutir a verdade, em vez de ficar presa a regras e burocracias?

_ Com licença, Dr. Harry, mas eu tenho de terminar o relatório.

_ Não me leve a mal, Rubert, mas todos nós sabemos o que será discutido hoje. Minhas observações diárias são mais certas do que seus relatórios. Proponho que deixemos a política de lado, e discutamos o que verdadeiramente importa.

_ Que seria...

_ Morte, Nicolas. E prisão. E despedida. E solução para esses problemas. Tenho certeza que o príncipe há de concordar comigo.

_ Não ouse colocar palavras na boca do príncipe, Harry. Você não tem o direito!

Não se preocupe Cristopher. Queira-me desculpar Rubert, mas creio que o Dr. Harry esteja certo. Vamos discutir o que deve ser discutido. Muito tempo já foi perdido.

Talvez agora o senhor se acalme Dr. Harry.

_ Perdoe meu caráter impulsivo, mas é que devido aos fatos ocorridos, não podemos perder tempo com trivialidades. Mas irei me controlar. Isso não vai se repetir.

_ Estão todos fugindo do assunto, correndo como loucos, a espera de alguém ter a coragem de se pronunciar.

_ Tem algo a dizer, Dr. Jackal?

_ Tenho. Na verdade tenho. Halbert e demais cavalheiros, todos vocês bancando os sábios e conselheiros, representantes e donos do reino, quando na verdade são covardes por não estarem discutindo a verdade.

_ E você, suponho eu, seja o mais corajoso de nós.

_ Está enganado Halbert. Eu não sou o mais corajoso. Eu não sou nada disso. Eu apenas sou e não sou. Não sinto. Mas como vocês tendem a serem subjetivos, sejamos sinceros uma vez na vida, e acabar com o suspense fictício: MORTE, PRISÃO, ABOMINAÇÃO, SOFRIMENTO, PERDA, TERRO, CAOS! São essas as palavras que vocês temem em pronunciá-las, as palavras que tornam o sonho utópico de vocês falho e apenas um sonho. Um sonho, senhores!

Não há necessidade de aumentar sua voz, Jackal, todos nós podemos ouvi-lo em claro e bom som. Concordo com a sua revolta. Se for assim que você quer, vamos ao que interessa.

Cavalheiros, a Maga Branca partiu. Confesso que foi difícil para eu aceitar isso, mas aconteceu. Assim como foi com as outras, ela partiu. Apesar de ter sido diferente sua estadia, sua partida foi semelhante a das outras.

Quanto ao Perdão, já tentei de tudo para livrá-lo dessa agonia, mas ele não me ouve. Por isso que tomei a iniciativa de trazê-lo para cá. Mesmo com sua atitude de masoquismo, estando no palácio, à vigilância será melhor. Conto com você para isso, Omni.

_ Meu dever é cumprir suas ordens, senhor. Tens minha eterna palavra que irei vigiá-lo.

E tem minha eterna gratidão, irmão. Continuando, todos vocês aqui presentes sabem que o Criativo fugiu e não sabemos aonde ele se encontra. Na verdade, o problema não será de procurá-lo, senão evitar que ele desista do seu cargo.

_ Isso é sério?

Temo que sim, Nicolas. Mas prosseguindo, tenho duas trágicas notícias para dar a vocês: o Poeta, como vocês sabem me procurou pouco antes de...

_ Senhor, você está bem?

_ Cristopher, é você, o que aconteceu?

_ O senhor desmaiou, provavelmente se esforçou muito no que quer que tenha lembrado.

_ Pareceu que a memória tinha sido apagada, bloqueada. Mas não entendo. Como isso seria possível?

_ Nada é impossível, senhor. É isso que sei. Acho melhor voltarmos para a estrada. No palácio, o senhor se sentira melhor. E também prometi a Alice que não demoraria.

_ Está certo. Por você e por ela, eu penso nisso depois. Vamos embora então. Antes que mais pensamentos sejam bloqueados ou apagados, ou pior.

_ Como assim pior?

_ Roubados, Cristopher. Roubados.

E assim, voltam para o caminho rumo ao palácio, localizado em Imaginar. Apesar de a ida ter sido tranqüila, ambos sabiam que a volta seria quieta, pensativa, e por prevenção, perigosa. E no caso do príncipe, a única coisa que ocupava seus pensamentos era a conversa que teve com o Paranóico. Será que ele, mesmo preso, poderia ser responsável por isso. Ou alguém pior?